A Inteligência Artificial (IA), especialmente a IA generativa, está transformando o mundo do trabalho como o conhecemos. Este artigo, baseado no relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) intitulado "Inteligência Artificial e trabalho: uma análise global dos potenciais efeitos na quantidade e na qualidade do emprego" (agosto de 2023), explora o impacto dessa tecnologia no mercado de trabalho global, considerando as diferenças entre países com diferentes níveis de renda e o impacto diferenciado entre homens e mulheres.

O relatório da OIT revela um impacto potencialmente desigual da IA generativa em países com diferentes níveis de renda. Em países de baixa renda, cerca de 0,4% do emprego total está potencialmente exposto aos efeitos da automação por IA. Essa baixa porcentagem provavelmente se deve à infraestrutura tecnológica limitada e ao acesso restrito a ferramentas como internet de alta velocidade e dispositivos compatíveis.
Por outro lado, em países de alta renda, a parcela do emprego potencialmente afetada sobe para 5,5%. Essa diferença significativa destaca a influência da infraestrutura tecnológica e do tipo de trabalho predominante em cada grupo de países. Países desenvolvidos, com maior acesso à tecnologia e empregos que exigem habilidades cognitivas, são mais suscetíveis à automação por IA. Dentro desse contexto, o relatório também aponta para uma disparidade de gênero no impacto da IA. Globalmente, cerca de 3,7% do emprego feminino está em ocupações potencialmente automatizáveis por IA generativa, em comparação com 1,4% do emprego masculino. Essa diferença sugere que as mulheres estão mais concentradas em ocupações com maior risco de automação, como cargos administrativos, de atendimento ao cliente e alguns setores da saúde e educação. Em países de alta renda, a disparidade é ainda maior: 8,5% dos empregos ocupados por mulheres têm alto potencial de automação, contra 3,9% dos empregos ocupados por homens.
Apesar das preocupações com a automação, a IA generativa também apresenta oportunidades significativas. O relatório da OIT destaca que, se bem gerenciada, a IA pode aumentar a produtividade, liberar tempo para tarefas mais complexas e até mesmo criar novas indústrias e ocupações, como ocorreu com o surgimento das redes sociais e a consequente demanda por profissionais de social media. A chave para aproveitar essas oportunidades reside na alfabetização digital e na participação ativa dos trabalhadores no processo de implementação da IA. A familiarização com as novas tecnologias e a inclusão dos trabalhadores no design e na implementação da IA podem minimizar os impactos negativos e maximizar os benefícios, como o empoderamento feminino e o crescimento econômico, especialmente em países em desenvolvimento.
A IA generativa é uma realidade e seu impacto no mercado de trabalho é inegável. Assim como outras revoluções tecnológicas ao longo da história, a IA apresenta desafios e oportunidades. A adaptação e o aprendizado contínuo são cruciais para navegar nesse novo cenário. Investir em alfabetização digital e qualificação profissional é essencial para preparar a força de trabalho para as demandas do futuro. A participação ativa dos trabalhadores, a gestão responsável da transição tecnológica e o foco na requalificação são fundamentais para garantir que os benefícios da IA sejam distribuídos de forma equitativa e que as oportunidades de crescimento sejam aproveitadas por todos, independentemente de gênero ou localização geográfica. O relatório da OIT serve como um importante guia para entender as complexidades dessa transformação e para traçar estratégias que promovam um futuro do trabalho mais inclusivo e próspero.