Vivemos em um mundo em constante transformação digital, uma revolução que se desenrola há 50 anos, moldando nossa economia, mercados, contextos educacionais e a sociedade como um todo. Desde as primeiras redes digitais privadas na década de 70, passando pela internet comercial nos anos 90 e a ascensão das nuvens computacionais nos anos 2000, chegamos à era da transformação digital, onde ecossistemas digitais se constroem sobre plataformas de negócios inovadoras. A informatização de bilhões de pessoas, com smartphones conectados à internet, impulsionou essa transformação, criando um cenário onde a demanda do cliente governa a oferta de serviços. A pandemia acelerou drasticamente essa mudança, com um aumento exponencial nas compras e no trabalho online, consolidando hábitos digitais que vieram para ficar.

Duas tendências irreversíveis moldam esse novo cenário: a transição do físico para o "phygital" – o físico habilitado e estendido pelo digital, orquestrado pelo social em tempo quase real – e a ascensão do trabalho híbrido. Nesse mundo "phygital", a experiência do cliente reina, e a capacidade de programar – de "codificar a realidade" – torna-se crucial para a competitividade. Empresas competem pela capacidade de codificar seus mercados e qualificar seus produtos e serviços. O trabalho se torna cada vez mais livre, distribuído geograficamente, com performance digitalizada e contratos múltiplos. A pergunta não é mais "quando voltaremos ao normal?", mas sim "quais são os novos normais e como nos posicionamos neles?".
Para navegar nesse cenário, é imprescindível uma estratégia digital, um processo de adaptação e evolução que exige o comprometimento das lideranças, a aquisição de novas habilidades pelos times, a criação de redes de inovação e, crucialmente, a capacidade de usar dados para gerar benefícios. A análise de dados permite identificar oportunidades, reduzir riscos e custos, e aumentar a agilidade dos negócios. Fazer as perguntas certas sobre os dados disponíveis – quais são, onde estão, que sistemas os utilizam, como são manipulados e se estão em conformidade com as regulações – é o primeiro passo para construir uma estratégia de informação robusta.
Com a chegada do 5G e a explosão da Internet das Coisas, o volume de dados gerados atingirá níveis inimagináveis. A gestão desses dados, com alta variedade, velocidade e complexidade, exige uma mudança de paradigma. Deixamos para trás os Data Warehouses, onde os dados eram cuidadosamente limpos e rotulados antes do armazenamento, para entrar na era dos Data Lakes, onde a informação flui de forma contínua e a análise se dá em tempo real. A necessidade de respostas imediatas a eventos gerados por bilhões de dispositivos conectados demanda agilidade e uma estratégia de informação eficaz.
Uma estratégia de informação não se trata apenas de coletar e armazenar dados, mas de gerenciar todo o seu ciclo de vida: capturar, gerar, receber, armazenar, recuperar, distribuir, transformar, analisar, sintetizar, simplificar, entender e visualizar. Segurança e privacidade são aspectos críticos, assim como a conformidade com regulamentações como a LGPD. A capacidade de gerenciar o ciclo de vida da informação é fundamental para a sobrevivência das empresas nesse novo cenário. O caso recente do ataque digital ao STJ ilustra a importância da segurança e da capacidade de recuperação de dados em situações de crise.
O objetivo final não é uma estratégia de dados isolada, mas uma estratégia de negócios que incorpore a gestão inteligente da informação. A transformação digital não é um evento repentino, mas um processo contínuo que exige adaptação e inovação. O foco deve estar nos resultados para o cliente, e não apenas na entrega de produtos e serviços. Dados e algoritmos devem ser utilizados para combinar produtos, serviços e experiências, criando valor real para o consumidor. No setor público, isso se traduz em serviços mais eficientes e responsivos às necessidades do cidadão.
O futuro do trabalho exige uma revisão das políticas públicas de educação. A formação de profissionais com habilidades em matemática, lógica, programação e fluência em inglês é crucial para a inserção do Brasil no mercado global de trabalho digital. A demanda por profissionais qualificados é enorme, mas a falta de investimento em educação e a desigualdade social impedem que o país aproveite plenamente essas oportunidades. É preciso agir agora para evitar um cenário de desemprego em massa e garantir que a transformação digital beneficie toda a sociedade.