A inteligência artificial (IA) generativa, como o ChatGPT, representa uma revolução na educação, com grande impacto no ensino da matemática. Muitos professores expressam preocupações sobre o uso da IA por estudantes para burlar avaliações. Embora essa preocupação seja válida, semelhante às que surgiram com a internet e as calculadoras, a IA generativa também oferece um enorme potencial como ferramenta pedagógica. Este post explora como professores de matemática podem utilizar a IA generativa em sala de aula, desmistificando seu uso e apresentando exemplos práticos com o ChatGPT-4.0.

O ChatGPT tem sido alvo de debates, especialmente quanto à sua capacidade matemática. Em testes com provas do ENEM, seu desempenho, embora superior à maioria dos candidatos em algumas áreas, demonstrou deficiências em questões de matemática. No entanto, a IA está em constante evolução. O DeepMind, do Google, alcançou um nível equivalente a uma medalha de prata na Olimpíada Internacional de Matemática, evidenciando seu rápido progresso. Diante disso, a questão não é se devemos ou não usar a IA na educação, mas como podemos integrá-la de forma eficaz ao processo de ensino-aprendizagem.
Para professores de matemática, o ChatGPT pode ser um valioso aliado. A chave está em entender como a IA gera respostas e em aprender a utilizá-la estrategicamente. Em vez de encará-la como uma ameaça, podemos explorar seu potencial para enriquecer as aulas e auxiliar os alunos na compreensão dos conceitos matemáticos.
Um exemplo prático é o uso do ChatGPT para explicar o método de resolução de problemas de Pólya. Ao interagir com o ChatGPT, o professor pode solicitar uma explicação do método, simulando um diálogo com um aluno do sexto ano. Isso permite explorar diferentes abordagens e linguagens adequadas à idade dos estudantes, adaptando o método a situações concretas e compreensíveis.
O ChatGPT pode atuar como um tutor inteligente, guiando os alunos na resolução de problemas. Ao simular um diálogo socrático, o ChatGPT estimula a reflexão e a construção de estratégias de resolução, sem fornecer respostas diretas. Por exemplo, diante de um problema matemático, o ChatGPT pode questionar o aluno sobre os dados fornecidos, as relações entre eles e os possíveis caminhos para encontrar a solução. Essa abordagem incentiva o pensamento crítico e a autonomia dos estudantes, permitindo que eles desenvolvam suas próprias habilidades de resolução de problemas.
Além disso, o ChatGPT pode auxiliar na criação de materiais didáticos, como listas de exercícios, jogos e atividades interativas. O professor pode, por exemplo, solicitar ao ChatGPT que crie um problema envolvendo porcentagens, contextualizado em uma situação do cotidiano dos alunos. Essa personalização do ensino torna a aprendizagem mais significativa e engajadora, promovendo a conexão entre a matemática e o mundo real.
É importante ressaltar que o ChatGPT não substitui o professor, mas atua como um recurso complementar. O papel do professor continua sendo fundamental na mediação do processo de ensino-aprendizagem, na seleção e adaptação dos materiais gerados pela IA e na avaliação da aprendizagem dos alunos. A IA generativa oferece novas possibilidades para o ensino da matemática, cabendo ao professor explorá-las de forma crítica e criativa, em benefício dos seus estudantes.