
Se você é fã da Motorola e acompanha o mercado de tecnologia no Brasil, provavelmente já notou uma certa ausência da marca no segmento de tablets. Enquanto a gigante comemora sucessos e inovações no universo dos smartphones, com lançamentos frequentes e uma presença robusta em diversas faixas de preço, a história é bem diferente quando falamos de tablets. Curiosamente, a Motorola parece ter adotado uma postura mais reservada neste setor em terras tupiniquins, uma estratégia que levanta muitas questões sobre o futuro da empresa neste nicho tão disputado. A realidade é que, oficialmente, a Motorola não tem lançado novos tablets no Brasil há algum tempo, deixando uma lacuna que outros fabricantes correm para preencher. É um cenário que intriga, especialmente para quem se lembra da ambição inicial da empresa no despontar dos tablets.
O último modelo que marcou presença oficial em nosso país foi o Moto Tab G70, que estreou por aqui em 2022. Naquela época, a chegada do G70 gerou certa expectativa. Afinal, tratava-se de um tablet com especificações respeitáveis para a sua categoria, prometendo uma experiência de entretenimento e produtividade a um preço competitivo. Equipado com um processador MediaTek Helio G90T, tela de 11 polegadas com resolução 2K e uma bateria generosa de 7.700 mAh, o Moto Tab G70 era, sem dúvida, um aparelho capaz de atender às necessidades de muitos usuários. Ele chegou para disputar espaço em um segmento que, embora não tivesse o mesmo frenesi dos smartphones, ainda apresentava um público fiel e crescente, especialmente impulsionado pelas necessidades de trabalho remoto e educação à distância que ganharam força durante a pandemia. Contudo, após o lançamento do G70, a Motorola manteve um silêncio eloquente. Desde então, nenhum novo tablet da marca foi oficialmente anunciado ou lançado no Brasil, deixando consumidores e entusiastas se perguntando sobre os motivos por trás dessa aparente retirada.
A estratégia de um fabricante como a Motorola de focar mais em um mercado (smartphones) e menos em outro (tablets, no caso do Brasil) pode ser multifacetada. Primeiro, o mercado de tablets, de modo geral, é mais lento e tem um ciclo de renovação mais longo do que o de smartphones. Muitos usuários mantêm seus tablets por anos, o que significa que o volume de vendas e a necessidade de lançamentos constantes são menores. Além disso, a competição é acirrada. Gigantes como Samsung e Apple dominam o cenário global e brasileiro, com portfólios vastos que atendem desde o usuário casual até o profissional que exige alta performance. Para a Motorola, que já enfrenta uma batalha intensa no mercado de smartphones contra rivais como Samsung, Xiaomi e Apple, destinar recursos significativos para competir em um segmento onde já está em desvantagem pode não ser a prioridade mais estratégica. É provável que a empresa esteja avaliando cuidadosamente o custo-benefício de cada lançamento, optando por alocar seus investimentos em áreas onde sua marca é mais forte e o retorno é mais garantido. A ausência de novos modelos no Brasil sugere que, para o mercado local, o foco está em outras categorias de produtos, deixando os tablets em um segundo plano, talvez até aguardando um momento mais propício ou uma inovação disruptiva que justifique um retorno mais agressivo. A verdade é que o consumidor brasileiro, ávido por tecnologia, sente a falta de mais opções em um mercado que poderia se beneficiar de uma maior diversidade e competitividade.
Embora a presença recente da Motorola no mercado de tablets brasileiro seja discreta, é importante lembrar que a empresa tem uma história rica e, por vezes, pioneira nesse segmento. No início da década de 2010, quando os tablets começavam a ganhar forma e a prometer uma revolução na computação pessoal, a Motorola estava na linha de frente com o lançamento do Xoom. Este dispositivo, apresentado em 2011, foi notável por ser um dos primeiros tablets a rodar o Android 3.0 Honeycomb, uma versão do sistema operacional do Google otimizada especificamente para tablets. O Xoom não era apenas um aparelho, era uma declaração de intenções da Motorola, mostrando sua capacidade de inovar e de competir com o então dominante iPad da Apple.
O Motorola Xoom chegou com uma tela de 10.1 polegadas, processador dual-core Nvidia Tegra 2, câmera traseira de 5MP e uma frontal de 2MP, além de um design robusto. Ele representou um marco para o ecossistema Android, mostrando o potencial do sistema em telas maiores. No entanto, apesar de suas qualidades, o Xoom enfrentou desafios. O preço era elevado, e o ecossistema de aplicativos para tablets Android ainda estava em seus primeiros passos, sem a mesma quantidade e qualidade de apps otimizados que o iPad já possuía. Mesmo assim, o Xoom abriu caminho e mostrou que a Motorola tinha a capacidade de produzir hardware de ponta para o segmento. Sua ambição, porém, não parou por aí. A linha Xoom foi seguida por outros modelos, como o Xyboard (também conhecido como Droid Xyboard nos EUA), que tentou aprimorar a experiência com telas menores (8.2 e 10.1 polegadas) e um design mais fino e leve, buscando um equilíbrio entre portabilidade e desempenho.
Ao longo dos anos, a Motorola continuou a explorar o conceito de tablet, embora nem todos os modelos tenham chegado a todos os mercados. Houve tentativas de criar tablets mais acessíveis e focados em entretenimento, muitas vezes sob a nomenclatura "Moto Tab", mas nenhum deles conseguiu replicar o impacto inicial do Xoom ou estabelecer uma presença consistente em mercados emergentes como o brasileiro. A questão central sempre foi a mesma: como competir com a força de marca e o ecossistema consolidado de Apple e Samsung, ao mesmo tempo em que se diferenciava de uma infinidade de tablets de baixo custo? Para a Motorola, uma empresa que historicamente construiu sua reputação com inovações em comunicação móvel – desde os primeiros celulares até os smartphones Android de sucesso – o foco principal sempre pendeu para o lado dos telefones. A estratégia de tablets muitas vezes parecia ser um complemento, e não um pilar central de seu negócio.
Essa retrospectiva nos ajuda a entender que a Motorola não é uma novata no mundo dos tablets. Pelo contrário, ela teve um papel importante nos estágios iniciais de desenvolvimento do Android para esse formato. No entanto, a evolução do mercado e as prioridades estratégicas da empresa sob diferentes proprietários (primeiro Google, depois Lenovo) levaram a uma reavaliação de sua participação. O fato de o Moto Tab G70 ser o último lançamento oficial no Brasil reflete não apenas a conjuntura atual do mercado, mas também uma história de tentativas e desafios que moldaram a presença – ou a ausência – da Motorola neste segmento ao longo dos anos. A capacidade de inovar está lá, mas a decisão de quando e onde aplicar essa inovação é o que realmente define a trajetória da marca.
Diante da ausência de novos tablets Motorola no Brasil, muitos consumidores que buscam um dispositivo para estudo, trabalho ou entretenimento se veem na necessidade de explorar as opções oferecidas por outras marcas. O mercado brasileiro de tablets, apesar de não ter o mesmo dinamismo dos smartphones, é bastante diversificado e atende a diferentes bolsos e necessidades. A dominância é claramente dividida entre poucos, mas poderosos, players que investem pesado em pesquisa, desenvolvimento e marketing para cativar o público.
A Samsung, por exemplo, é uma força inquestionável. Sua linha Galaxy Tab oferece uma vasta gama de modelos, desde os mais básicos e acessíveis, ideais para consumo de mídia e tarefas cotidianas, até os ultra-premium, como a linha Galaxy Tab S, que rivalizam com notebooks em termos de desempenho e recursos. Tablets como o Galaxy Tab S8 e S9 vêm com telas AMOLED vibrantes, processadores de última geração, suporte à caneta S Pen e ecossistema integrado que os torna ferramentas poderosas para produtividade e criação de conteúdo. Já a linha Galaxy Tab A foca em um público que busca bom custo-benefício, com dispositivos robustos para o dia a dia. A Apple, naturalmente, é outro gigante. Seus iPads, em suas diversas versões (iPad, iPad Air, iPad Mini e iPad Pro), são sinônimo de excelência, com performance impecável, um ecossistema de aplicativos otimizados inigualável e uma experiência de usuário fluida. Para muitos, o iPad continua sendo a referência máxima em tablets, apesar do preço mais elevado.
Além dessas duas potências, outras marcas têm encontrado seu espaço. A Lenovo, que também possui a Motorola em seu portfólio global, tem uma linha própria de tablets, alguns dos quais são vendidos no Brasil. Seus modelos, como os da série Tab P e Tab M, frequentemente se destacam por oferecer um bom equilíbrio entre preço e especificações, muitas vezes com foco em multimídia (som Dolby Atmos, telas de alta qualidade) e bateria de longa duração. A Xiaomi, com sua linha Pad, também tem demonstrado ambição em mercados globais e, ocasionalmente, alguns de seus modelos chegam ao Brasil através de importadores ou lojas parceiras, oferecendo uma alternativa interessante com hardware potente a preços competitivos. Marcas como a Multilaser também têm uma presença notável no segmento de tablets de entrada, visando um público que busca a funcionalidade básica do dispositivo a um preço extremamente acessível.
A escolha do tablet ideal hoje depende muito do perfil de uso e do orçamento disponível. Para estudantes, modelos intermediários com suporte a teclado e caneta podem ser um diferencial. Para profissionais, um tablet mais potente com capacidade multitarefa e um bom ecossistema de produtividade é essencial. Para quem busca apenas entretenimento, uma boa tela e bateria são as prioridades. A ausência da Motorola, portanto, não significa um vácuo, mas sim uma maior concentração de opções nas mãos de outros fabricantes que têm demonstrado um compromisso contínuo com o mercado brasileiro de tablets. Talvez, em um futuro não tão distante, a Motorola decida revisitar sua estratégia e nos surpreenda com um novo tablet, trazendo sua inovação e competitividade de volta a este segmento que ainda tem muito a oferecer aos usuários. Até lá, o consumidor brasileiro tem à disposição um leque interessante de alternativas para suprir suas necessidades.